segunda-feira, 19 de abril de 2021

O lado sombrio de Roberto Carlos na ditadura

 


Roberto Carlos faz 80 anos nesta segunda festejado com todas as honras devidas a um “rei”. Que eu saiba ele nunca fez um mea culpa de seu comportamento nos anos da ditadura quando foi conivente com os militares na fase mais repressiva, pós AI-5, no governo do general Garrastazu Médici (1969 -1974).

Artistas como Caetano e Gil amargavam um exilio em Londres depois de presos e colocados dentro de um avião com a recomendação de não voltarem. Chico Buarque foi para a Itália depois do que viu acontecer com Gil e Chico. E muitos outros casos semelhantes. 

Um relatório do Centro de Informações do Exército distribuído a outros órgãos de repressão, afirmava que artistas simpáticos ao regime deveriam ser blindados. O informe, difundido para outros órgãos da repressão política, cita, entre outros, Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo, Wanderley Cardoso (não achei todos). 

Roberto cantou nas olímpiadas do Exército de 1970 e 1971. Em 1973 recebeu a Medalha do Pacificador, por serviços prestados ao Exército, entregue pelo general linha dura Humberto de Souza Mello. Em 1976 outra condecoração, a Ordem do Rio Branco, por serviços prestados à nação, entregue pelo ditador, general Ernesto Geisel. 


Este era um grande período de popularidade de Roberto com uma penca de grandes sucessos como As Curvas da Estrada de Santos, Sua Estupidez, Jesus Cristo, Nossa Senhora, Detalhes e outros que mantinham as massas alienadas enquanto a geração nova da MPB lutava contra o status quo nos festivais da canção com músicas como Pra Não Dizer Que Não falei das Flores, Caetano Veloso com É Proibido Proibir e muitos outros artistas que não conseguiram participar devido à censura das canções que tentaram incluir. 

Anos antes, em 1967, Roberto teve censurado o trailer do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura por não ter enviado a tempo. Ele foi ao ministro da justiça Gama e Silva que mandou a Censura liberar por se tratar “de uma história cujo protagonista é o mais admirado e popular artista brasileiro”.



Roberto apoiou a censura ao filme Je Vous Salue Marie por questões cristãs e já bem mais recentemente, em 2007, vetou a biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar Araújo, o que desencadeou um longo debate. Em 2015, o Supremo acabou com o veto a biografias.

O “rei” anunciou há tempos que escreve sua autobiografia, que ele é o mais indicado para contar sua história. A ver como ele vai tratar este período sombrio em que colaborou com a ditadura no auge da repressão e da tortura. 

Ah, ele também elogiou o ditador do Chile, general Augusto Pinochet.

Tá bom ou quer mais?