quinta-feira, 13 de maio de 2021

Documentário Os Quatro Paralamas mostra as internas da banda em imagens inéditas

                                                                             Trailer

Numa olhada rápida no google, encontrei seis documentários sobre os Paralamas do Sucesso. Os Quatro Paralamas não é mais um deles, mas um mergulho nos bastidores do trio Herbert-Bi-Barone e o empresário José Fortes, apresentado como o quarto integrante. Quarteto que funciona como um só, o que dá liga são dois sentimentos nobres, amizade e amor. João Barone dá uma risada quando diz: “Somos moleques ou um bando de velhos que se acham moleques.” José Fortes avalia: “Nunca pensamos que a banda ia acabar.  Nossos melhores amigos somos nós mesmos” e Bi observa que é uma mistura de amizade e trabalho. 



O documentário, dirigido por Roberto Berliner,  não tem um narrador para amarrar as cenas, a maioria sem identificação de tempo e lugar. Uma identificação escrita na tela ajudaria, como não tem o espectador não sabe o que está vendo em muitas cenas. Cenas antigas mostram o Herbert elétrico no palco e fora dele, o inverso depois do acidente. Não podia ser diferente. Perder o amor da vida, Lucy Needham Vianna e chegar com apenas 30% de chances de vida ao Hospital Copa D’Or e conseguir sobreviver é quase um milagre. 


Aqui vemos destroços do ultraleve na praia de Mangaratiba, onde houve o acidente em 4 de fevereiro de 2001, a vigília no Hospital, Barone ilustra bem o clima ao dizer que a Lucy estava sendo enterrada no momento em que Herbert fazia cirurgia para tirar coágulos do cérebro. Zé Fortes conta que apavorou quando o cirurgião Paulo Niemeyer disse que Herbert dificilmente sobreviveria e revela que nada contou a ninguém na época.

Zé Fortes, Herbert, Barone e Bi
Além dos cuidados médicos, a grande terapia de Herbert foi tocar com Barone e Bi. Quando melhorou voltaram a tocar horas e mais horas, o documentário é rico em imagens, na interação entre eles, embora não mostre em detalhes a ajuda que lhe davam para lembrar de tudo. Herbert ficou sem memória recente, o que foi bem doloroso no começo. Tiveram que contar da morte de Lucy, ele se desesperava e esquecia, depois de algumas vezes desistiram de contar até ele poder assimilar.

A memória antiga foi preservada e há cenas dele tocando a primeira música que fez na vida e também Pinguins, da época de ensaios na casa da avó do Bi, dona Ondina. Os três sentados num canto do palco cercado de guitarras bateram um papo interessante sobre o futuro. Herbert diz que tinha vontade de ter filhos, mas que temeria pôr o filho num ônibus no Rio sem saber se ele ia voltar. 




Parênteses: no álbum Som do Sim (2000) ele fez História de Uma Bala sobre violência urbana “O bonde do mal na rua e a paz de alguém está para acabar”. E mais adiante O Calibre: “Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo. Sem saber o calibre do perigo. Eu não sei de onde vem o tiro.”  Me disse em 2000 que pensava até em mudar do Rio por medo da segurança dos filhos.”

Voltando. Herbert entendia um filho como dar pro mundo alguém que contribua para melhorá-lo. “A única coisa que você pode dar para uma pessoa é amor, o resto ela tem que conquistar.”

Destroços do ultraleve de Herbert na praia de Mangaratiba

Há uma breve história dele com Lucy, como se conheceram e como, na sua timidez, arrastou Bi para ir com ele conhecer os pais dela no interior da Inglaterra.

E a investida na Argentina no começo dos anos 90 com muito sucesso por lá. Belas imagens de passeios numa larga avenida e praça e a amizade com Charly Garcia, um dos ícones do rock  argentino. E com Fito Paez num show no Canecão, Rio de Janeiro, a primeira aparição depois do acidente.


Ufa! Desculpem se ficou longo. Para complementar as imagens e os demais documentários sugiro minha biografia da banda Vamo Batê Lata, disponível em sebos. Novo está caro, vi até a 279 reais.


 

Um comentário:

  1. Foi uma grata surpresa me deparar com esse documentário na NETFLIX. É um documentário mais sobre a jornada deles, sob o ponto de vista deles. Acho que poderia ter mais depoimentos dos amigos mais próximos, mas no geral, é um ótimo programa. Para quem gosta dos Paralamas do Sucesso, esse documentário é obrigatório.

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